“EGO, EU IMAGINÁRIO x ALMA, EU ESSÊNCIA”

Por muito tempo eu tive dificuldade para entender o que é ego, não o ego conhecido na psicanálise, como descreve Freud (Id, Ego e Superego), mas um outro Ego que chamo de um “Eu” imaginário, e que criamos a partir das influencias que sofremos da sociedade e do meio em que vivemos. […]

Hoje eu associo o Ego, esse “Eu imaginário”, como se fosse um casulo, que criamos, e que nos mantêm presos e distantes de nossa própria Alma “Eu Essência”.

Quando eu ouvia algumas pessoas falando sobre o Ego (que não é o da psicanálise) eu achava muito estranho, ouvia coisas do tipo: é necessário cuidar do Ego, matar o Ego, limar o Ego, baixar o Ego, olha o Ego daquele lá! Parecia que esse tal de Ego era um ser independente de mim, e é, mas de mim quem? Juro que eu me esforçava para compreender, mas não conseguia. Me sentia muitas vezes com vergonha e até ignorante por não saber quem era esse sujeito. Será que ele era tão poderoso assim ao ponto de me “cegar” para que eu não enxergasse a verdade, que tanto dizem que existe. Que verdade é essa? Como posso ter passado tantos anos da minha vida vivendo na ilusão? Tudo isso parece filme de ficção. Sinceramente foi muito para minha cabeça ficar fazendo esses questionamentos, parecia que eu estava enlouquecendo.

Eu lia algumas coisas sobre Ego, mas mesmo assim não conseguia compreender, até que chegou o grande dia, uma experiência inesquecível, muito aprendizado, tudo seria revelado. Ou quase tudo.

Passei por um processo terapêutico muito intenso daqueles que quando começa não tem mais volta, só se pode seguir não dá para retornar, embora eu quisesse parar no meio não dava mais tempo, já tinha embarcado no trem e ele só pararia na estação. Quando eu embarquei nem passou pela minha cabeça que o trajeto que o trem ia percorrer haveria apenas duas estações, início e fim, não tinha estação intermediária, então eu teria que esperar e apreciar a paisagem, quisesse ou não.

Claro que não. Eu não queria apreciar, era dolorido e esquisito nunca tinha visto nada parecido, fiquei atormentada, queria ajudar outros passageiros que ali estavam, mas foi dito: você não está dando conta nem de você mesma. Entendi o recado e comecei a concentrar-me na minha própria viagem. Sim muita dor, dor emocional, muito apego, medo, resistência. Não pensava em nada nem mesmo em Deus, que tanto falo. Sentia duas forças contrárias como se uma me puxasse para baixo e outra me puxasse para cima, tinha medo das duas e queria ficar no intermediário, que era comigo mesma. Mas como eu disse não dava mais tempo, teria que seguir… , já havia pegado o trem que só pararia na estação final. Medo, muito medo, parecia que eu ia morrer, nunca imaginei que tivesse tanto medo da morte, eu até achava que já estava preparada para quando isso fosse acontecer, só que não. Muita resistência, não conseguia me desprender. Uma energia me atraia para um lado escuro, feio, dava medo, a outra energia, muito forte, me atraia para um outro lado de muita luz, mas por incrível que pareça também me dava medo. Afinal eu não sabia onde tudo aquilo ia parar, só sabia que precisava seguir, até que me disseram: você é responsável por suas escolhas, a sua consciência é que decide ir para um lado ou para o outro. Até que, não totalmente, mas resisti menos e me permiti viajar, claro que em sentido a luz, embora ainda muito incomodada não vendo a hora da viagem acabar.

Durante todo o trajeto da viagem muitas coisas me foram mostradas, meu próprio ser foi exposto para mim, me via em duas dimensões o terreno (neste momento via meu Ego agindo) e uma outra dimensão (aqui eu tinha consciência da minha Essência), tranqüila, leve, suave, que dava um sentimento de liberdade (é como eu consigo descrever), totalmente diferente da 3ª dimensão em que habitamos. Era estranho, é como se eu tivesse sido dividida em duas pessoas, embora a mesma, mas diferentes na forma de agir.  Tudo me era mostrado como se fosse numa tela de cinema, fui vendo como eu agia na minha própria inconsciência. Vi algumas falhas que cometi com as minhas atitudes e formas de pensar, nenhum outro ser humano foi colocado diante de mim para que pudesse servir de espelho, para que eu me enxergasse, somente eu fui a ré das minhas inconsciências, e nestes momentos percebia e sentia na alma o quanto eu, meu corpo terreno, não era nada, mas ao mesmo tempo era tudo.

Quero dizer: naquele momento tomei consciência do quanto eu, como ser humano, (corpo físico) não sou “nada” diante da imensidão do universo, e que por muitas vezes por ter o ego demasiadamente inflado me achava a “última bolacha do pacote”. Por outro lado também fui capaz de sentir na alma que sou “tudo” e o quão genuína, Eu Sou, e a força e capacidade de realização que tenho.

Durante a viagem vi vários cenários como: Eu em situações para exercitar a humildade, o desapego, a não resistência, a me afastar do medo e principalmente o sentimento de Unidade com a Fonte, que Tudo É. Esse sentimento de Unidade (com tudo o que há: com a terra, com um amigo, com o ar, com o universo) é simplesmente algo que não dá para explicar, é uma experiência individual, não tem explicação é só sensação. Por um breve momento eu me senti Deus, pretensão, não, não é pretensão, até porque somos “pequenos” Deuses, somos todos filhos da mesma Fonte, estamos apenas individualizados. Não podemos negar a nossa origem, da mesma maneira que carregamos características de nossos antepassados, aqui na terra, obviamente temos em nossa Essência características do Criador.

O aprendizado com essa viagem foi enorme, apanhei da minha própria consciência, foi a maior surra da minha vida.

Se valeu?

Sim valeu muito, até porque hoje tenho mais consciência sobre quem sou eu, o porque e para que eu estou vivendo neste planeta, nesta dimensão.

Enfim, o que quero dizer com toda essa história é que a partir desta experiência passei não só a entender, mas também a sentir e perceber como o Ego age. Tive plena consciência do meu, “Eu Ego”, e do meu, “Eu Essência Divina”, e senti como os dois agem, cada um com o seu propósito.

Hoje consigo perceber claramente, em algumas situações, quando é o meu Ego ou a minha Essência Divina/Eu Sou agindo. Confesso que é um exercício árduo para manter essa consciência, de quem está no comando. Para isso é preciso estar totalmente presente no Aqui e Agora, não no passado e muito menos no futuro, algo que na maioria das vezes é bem difícil, mas é uma tarefa a ser conquistada.

Bendito seja o Ego que me possibilitou a chegar aonde cheguei, mesmo que com algumas artimanhas, que hoje entendo que não são mais necessárias, para a minha sobrevivência, mas sua ação era e muitas vezes ainda é devido a minha própria inconsciência.

Neste momento me esforço para permitir que a minha Divina Presença me guie e não mais o Ego, meu “Eu ilusório” criado para que eu pudesse “atender” os meus próprios desejos terrenos.

Àqueles que estão sobre a influência do Ego vivem constantemente no desconforto do medo, da tristeza, da insegurança, da raiva, da soberba, da avareza, da inveja, da luxúria e permanecem na escuridão.

É hora de Despertar para o verdadeiro Eu, o Eu Divino aquele que proporciona Alegria, Paz, Liberdade, Altruísmo, Felicidade, União e também nos possibilita sentir o verdadeiro Amor, que vem do Criador, bem como a Unicidade. Somos Um com a Fonte, somos Luz.

A cada dia desperto um pouco mais, e assim sou capaz de limar o meu Ego e quem sabe um dia não precisarei mais dele.

Quanto mais nos distanciamos do Ego mais liberdade sentimos, eu acredito que este seja um dos nossos maiores aprendizados aqui no planeta terra, até que um dia possamos voar livremente.

A título de curiosidade:

Segundo Freud o Id é a nossa parte mais primitiva (inconsciente) é o nosso lado instintivo, age por impulso e simplesmente para satisfazer seus prazeres, sem se preocupar com o externo. O Ego tem consciência da realidade e é o mediador entre Id e Superego, ele representa a razão ou racionalidade. O Superego é o produto da internalização das proibições, do que não deve fazer. Ele é o aspecto moral da personalidade, é a censura que diz: não faça isso, não faça aquilo, isso não está certo.

Enquanto o Id “diz”: vou realizar meu desejo. O Superego tenta inibir as satisfações do Id “dizendo” que não pode, e o Ego media o conflito, entre os dois, para que o ser humano possa ter uma saída, saudável, para a situação.

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